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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Capítulo 03 de Nirkavv em andamento

Depois de escrever cinco páginas nesse novo capítulo, estou me sentindo sem imaginação. Eu tenho ideias para vários personagens e acontecimentos futuros, mas eu sempre tenho problemas em fazer as "pontes" que ligam os fatos principais. Mas não acho que vocês queiram se preocupar com meus problemas. Aqui está o que escrevi até agora no terceiro capítulo de Nirkavv (lembrem-se que eu sempre faço modificações no capítulo antes de oficialmente publicá-lo, então mesmo lendo aqui, quando eu postar o capítulo inteiro, é melhor reler desde o início):





Capítulo 03 - Revelações ou mais Dúvidas?

            Darl acorda. Ele se vê novamente em uma cama revestida de palha dentro de uma casa de madeira. Sua mente estava estranhamente vazia. Ele não conseguia se lembrar de nada desta vez.
            Darl então levanta e começa a se lembrar. Ele lembra de já ter passado por uma situação parecida, o que o fez olhar para sua perna esquerda, mas ela não estava enfaixada e nem doía.
            Logo ele também se lembrou de todo o resto, e de tudo que fora forçado a fazer. Todas as atrocidades que fez e sofrimento de causou. E ele se lembrou do que sentia nos momentos.
            Darl começou a prestar atenção à sua volta: A casa era um pouco maior que a de Gundar, era também mais velha, mais úmida - talvez tivesse chovido recentemente. A casa tinha praticamente os mesmo móveis que a casa de Gundar - mas não tinha uma lareira -, tinha mais janelas e tinha também alguns tapetes.
            Darl olhou pela janela ele viu outras casas em volta, mas não eram as de Nouwer, elas estavam aparentemente abandonadas pois estavam na maioria quebradas e até tinham musgos e fungos crescendo nas paredes - talvez ninguém tivesse morado ali por décadas. Também tinha um rio que passava por dentro do aparente vilarejo.
            Darl anda pela casa à procura de alguém. Logo ele vê, em outro cômodo da casa, Gundar e um homem extremamente velho, ambos sentados. Entre eles havia uma pequena mesa com, pelo que parecia, alguma bebida; ambos seguravam canecas de barro que estavam usando-as para beber aquela bebida.
            Ambos percebem a presença de Darl e, em silêncio, voltam a beber. Darl ficou sem saber o que dizer, nem mesmo sabia se devia dizer algo. Então ele ficou parado ali mesmo, sem se dar conta do quão estranho ele deveria parecer por estar parado ali em pé.
            Gundar então vira a cabeça para Darl e pergunta:
            — Lembra-se de algo?
            Darl, por impulso, respondeu gaguejando:
            — S-Sim.
            Gundar, depois de alguns segundos, suspirou e disse:
            — Eu não costumava acreditar no que as pessoas diziam, mas vocês dois estão me fazendo duvidar das minhas próprias crenças.
            Darl não entendeu o que Gundar quis dizer. Ele então olhou para o velho homem que estava no lado oposto a Gundar na mesa. O homem tinha o cabelo e barba totalmente brancos, sua barba era bem longa e era calvo. Ele tinha um leve e estranho sorriso no rosto, como se estivesse sorrindo apenas para esconder tristeza ou para não deixar as pessoas em volta melancólicas, "talvez ambos", Darl pensou.
            — Darl, este é Rognir. — Diz Gundar, que continua: — Foi ele que nos encontrou essa manhã e nos trouxe para sua casa.
            — Foi meu prazer ajudar dois jovens em tempos como este. — Diz o velho homem.
            Foi um pouco estranho para Darl ver Gundar ser chamado de jovem, já que ele tinha quase quarenta anos, e essa era uma idade elevada para a época. Mas talvez não faça diferença para aquele homem, que poderia ter até oitenta anos.
            Gundar então pergunta retoricamente:
            — Por que não se senta aqui e diz o que se lembra da noite passada? Acho que Rognir pode te ajudar de alguma maneira.
            Darl então, após se sentar e ser apresentado devidamente a Rognir, contou o que acontecera desde que fora capturado na noite passada até o momento em que ele perdera a consciência. Suas palavras foram muito vagas, mas ele esperava que tivessem sido o suficiente - ele não queria realmente lembrar daquilo.
            — Posso não lembrar muito do que acontece atualmente, mas me lembro bem da minha juventude e tudo que aconteceu naquela época até algumas décadas atrás. — Disse Rognir, o  velho homem. — Está familiarizado com a história após Khanlof, Darl?
            — Não, senhor. Nunca me contaram com detalhes essa parte dos impérios. — Darl torceu para Gundar não se ofender após a sua resposta.
            — Ah, mas é uma pena. — Rognir pareceu até um pouco decepcionado. Mas continuou: — Eu estava lá quando imperadores surgiram e quando caíram, eu estava lá quando o que não era natural apareceu. Quando Khanlof morrera e Yorn, seu filho se tornara imperador, quando o que as pessoas ao oeste chamavam de "magia" ganhara força nas guerras. Yorn começou a usá-la em suas lutas por território perdido ao leste, mas falhou.
            Rognir pausa para respirar e continua:
            — Um pouco antes do "Holocausto Das Três Décadas", um pouco antes de Yorn morrer também, eu soube de algo que poucos souberam: como a magia estava sendo usada de modo efetivo na guerra, pelo que me lembro, eles pegavam um tipo de espírito maligno e colocavam no corpo de crianças para que elas quando crescessem fossem soldados invencíveis. Esses soldados podiam fazer coisas inumanas e quando estavam perto de morrer eles matavam todos em volta de modo brutal.
            Darl não entendeu tudo, mas entendeu a suposição feita por Rognir. Assustado, Darl diz:
            — Está dizendo que eu posso ser um desses soldados? Como eu poderia ser e não saber?
            — As crianças que mencionei geralmente não tinham família, o que facilitava a "captura" delas. Após terem aquele "espírito" inserido em seu corpo, elas eram treinadas para se tornarem soldados. Eu não sei se esse é o seu caso, mas se você tem família e não se lembra de ter passado algum tempo longe de casa, então esse provavelmente não é o seu caso.
            Darl se surpreendeu com as coincidências. Sem família, treinado para ser soldado. Mas tudo aconteceu de modo diferente com ele, mas ao mesmo tempo parecia até coincidência demais. A mente de Darl se tornou confusa. Ele já não sabia o que pensar.
            Gundar parecia surpreso também, mas não confuso como Darl. Ele então diz, pensativo:
            — Que coincidência. Mas eu realmente não estou, ou estava, treinando Darl com essa intenção. E, pelo que me lembro, Darl tinha uma família até um dia antes de eu o encontrar.
            Rognir pensou um pouco e disse:
            — Não sei se isto vai melhorar as coisas, e até espero que eu esteja errado, mas... já ouvi falar de muitas coisas causadas por magia, até memórias trocadas ou forjadas. Talvez Darl já não tivesse uma família há muito tempo, mas se lembrasse de ter, pois suas memórias foram trocadas.
            Rognir, ao perceber o quão assustado e confuso Darl estava, disse:
            — Podem ser só coincidências, existe uma grande chance de eu estar errado. Considere os fatos apenas como coincidências. Afinal, se você fosse mesmo uma das crianças que falei, você provavelmente não teria conseguido fugir ou coisa assim. E eu nem sei se eles ainda praticam esse tipo de coisa.
            Gundar e Rognir perceberam que deveriam parar de falar sobre o assunto. Darl havia acabado de "acordar de um pesadelo". Logo Rognir, para trocar de assunto, diz:
            — Estão com fome? Tenho aqui dois coelhos que peguei essa manhã, espero que sejam o bastante.
            "Dois coelhos?!", Darl pensou. "Um coelho não é o bastante para uma pessoa por um dia!".
            — Rognir. — Gundar chamou, e continuou: — Sei um modo de lhe agradecer devidamente pela sua hospitalidade e generosidade.
            Darl e Rognir então olham para Gundar. Darl já havia entendido o que Gundar planejava.
            — Dois coelhos não serão o bastante para nós quatro. Teremos uma refeição descente, eu e Darl caçaremos algum animal para você agora mesmo.
            Rognir para tão surpreso quanto emocionado. O velho homem provavelmente não comera algo além de coelhos, ratos ou frutas há muito tempo.
            Gundar perguntou a Rognir se ele tinha alguma ferramenta de caça em sua casa, Rognir disse que sim e emprestou a Gundar e Darl um arco e uma aljava para cada um.
            Enquanto saíam do vilarejo, ou o que sobrou dele, Darl se lembrou que Gundar havia dito "nós quatro". Então Darl faz a pergunta:
            — Gundar, você havia dito "nós quatro"? Quem mais estava lá?
            — A esposa de Rognir, Grena. Ela não vê e também não consegue andar sem ajuda, então ela passa a maior parte do tempo deitada.
            Alguns segundos depois, Darl percebeu que havia chamado Gundar de "você" em vez de "senhor". Foi tão espontâneo que ele nem percebeu, ele havia passado tanto tempo com Gundar que ele era quase como um segundo pai para ele. "Um segundo pai", Darl pensou, enquanto se lembrava de sua família original.
            Enquanto os dois passavam pelas ruínas do vilarejo, Darl se perguntava o que havia acontecido com o lugar. Quando eles já haviam quase saído do vilarejo, Darl viu algo que o surpreendeu: um cemitério, um cemitério pequeno, porém com muitas lápides próximas umas das outras. Metade das lápides pareciam recentes - não havia crescido grama totalmente nelas.
                Darl assustado olhou para Gundar e percebeu que ele estava olhando para a mesma direção que Darl. Darl permaneceu em silêncio, apesar de tudo. Ele também percebeu que Gundar estava mancando, parecia que algo havia acontecido com sua perna esquerda.
            Quando ambos já estavam do lado de fora do vilarejo, Gundar parou, respirou fundo e disse:
            — Hora de ver se o treinamento teve algum resultado.
            Darl apenas respondeu com um "hã?".
            — Darl — Gundar chamou —, estamos atrás de qualquer animal que não seja muito perigoso, de preferência um cervo. Como devemos começar?
            Depois de pensar um pouco, Darl respondeu:
            — Há um rio que corta o vilarejo, então devem haver animais por perto. E já que existem muitas pessoas na área, não será difícil achar algum cervo.
            Darl olhou para o chão e viu que haviam fezes de animais e algumas pegadas que não haviam sido cobertas por folhas caídas. Darl então disse:
            — Não podemos confiar nos rastros dos animais, já que existem tantos, animais devem passar por aqui com frequência. Então se nos escondermos e esperarmos ou nos esgueirar pelos arbustos e procurar por algum animal.
            Darl olhou para Gundar esperando alguma aprovação, mas Gundar parecia ainda esperar que Darl falasse mais alguma coisa. Foi então que Darl se lembrou de algo.
            — Seria muito perigoso nos esgueirarmos já que não sabemos qual é a chance de sermos surpreendidos por um lobo ou javali, já que o chão está coberto de folhas não podemos saber quantas pegadas de lobos ou qualquer animal perigoso tem em relação ao número de pegadas de cervos ou qualquer animal do tipo. — Darl, depois de poucos segundos, continuou: — Devemos então nos esconder em um lugar fixo e alto, como uma árvore.
            Darl esperou novamente por alguma aprovação. Gundar ainda ficou calado, mas balançou a cabeça positivamente, no final. Mas então disse:
            — Ótimo. Mas você se esqueceu da probabilidade de algum inimigo nos encontrar. Mesmo não estando em Nouwer, não se deve baixar a guarda em relação à guerra.

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