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domingo, 23 de novembro de 2014

Capítulo 01 de Nirkavv é Lançado!

Nem tenho o que escrever aqui, o que importa é que acabei de escrever o primeiro capítulo de Nirkavv e vocês podem baixar o PDF aqui. Caso você já tenha lido as partes anteriores do capítulo, aqui está o tem de novo:





...
                Gundar esperou até o dia seguinte para ter certeza que Darl estaria psicologicamente capaz de começar o treinamento. Darl não havia dormido bem, ele nem tinha certeza se havia realmente dormido. Ambos estavam do lado de fora da casa de Gundar, podia-se ver algumas casas em volta, um castelo, algumas árvores entre as casas e uma muralha de madeira cercando o lugar.
                Gundar tinha consigo duas espadas de madeira, que provavelmente seriam usadas no treinamento. Antes de começarem, Gundar perguntou:
                — Darl, seu pai lhe ensinou pelo menos o básico de como usar uma espada?
                Darl, ainda lento, responde:
                — Não, senhor.
                — E um machado? É uma arma muito usada no norte.
                — Também não, senhor... Tudo que sei fazer com um machado é cortar lenha.
                — Certo... — Gundar pensou um pouco, provavelmente em como começar.— Mostrarei o básico de atacar e se defender.
                E assim Gundar fez. Mesmo não se sentindo nada confortável ou com disposição para treinar, Darl lutou bem. Gundar considerou que era uma "herança do Norte". O dia foi simples: treinar, comer, dormir. Apesar de tudo, Darl conseguiu dormir por causa do cansaço. Ele tinha certeza que ia ter pesadelos, as não aconteceu.
...
                No terceiro dia a comida acabou. Gundar teria que caçar, ele aproveitou a chance para ensinar Darl alguma outra coisa.
                Eles atravessaram as muralhas e entraram na floresta. Era dia, mas as árvores eram be maltas e cobriam a maior parte do céu. Gundar avisou a Darl para avisá-lo caso visse alguma outra pessoa na floresta, já que estavam em guerra, poderia ser um inimigo. Andar numa floresta novamente lembrou Darl dos acontecimentos de quatro dias atrás, o que não melhorou em nada seu humor.
                — Gundar... — Chamou Darl.
                — O que foi? — Perguntou Gundar.
                — Se o senhor tinha pouca comida e está em guerra, e poderia cair em alguma emboscada na floresta, entre muitos outros problemas... — Darl hesitou um pouco — Por que me salvou? Eu só lhe traria mais problemas. E provavelmente não viverei o suficiente para virar soldado.
                Gundar não pareceu nada surpreso com a pergunta, pelo contrário.
                — Você demorou para me perguntar isso. Vamos dizer que eu apenas achei uma boa ideia. Em tempos como esse as pessoas tendem a não pensar muito. Não se preocupe com isso.
                Eles andaram um pouco mais em silêncio. Então Gundar disse:
                — Aqui vai a primeira dica: Se você tiver problemas em encontrar algum animal, você pode tentar atrair algum lobo ou qualquer predador com carne, parece que os desgraçados podem perceber algo morto de muito longe. Isso também funciona com corvos se a carne estiver estragada.
                — Mas nós não temos nenhuma carne, temos? — Perguntou Darl.
                — Não temos. Mas há outro jeito de conseguir que caça venha até você. E é um modo até menos perigoso. — Gundar parou de falar por alguns instantes e pareceu se concentrar. — Pode ouvir o rio?
                 Depois de alguns segundos, Darl também ouve, e então diz que sim.
                — Uma coisa que todos precisam, inclusive os animais, é água. — Disse Gundar. — Onde há água, de preferência muita água, é o melhor lugar para encontrar algum animal.
                Eles andaram em direção ao som e logo encontraram o rio. Mas não havia nenhum animal lá, e caso houvesse, provavelmente fugiu ao percebê-los se aproximando. Isso também não pareceu surpreende Gundar, que logo diz:
                — Agora que estamos aqui, vamos esperar que algum animal venha beber água, de preferência que não seja um lobo ou javali.
                — Vamos nos esconder, certo? Qualquer animal nos veria aqui.
                — É claro, mas não pelo chão, ou poderemos ser a caça em vez do caçador.
                — Então onde?
                — Em uma árvore. Cervos não esperam que lobos venham de cima de árvores, então vamos surpreender o primeiro que parar por aqui.
                Gundar e Darl esperaram por volta de meia hora em uma árvore. Gundar estava sentado no galho mais próximo ao rio e Darl estava do outro lado, procurando por algum predador que poderia surpreendê-los também, ou qualquer animal que viesse por onde Gundar não pudesse ver.
                Para a sorte deles, um cervo finalmente parou para beber água. Ele estava do outro lado do rio, mas não seria problema. Gundar preparou uma flecha e a preparou para atirar, esperou o cervo abaixar a cabeça para beber água, mirou na cabeça para ter certeza que o cervo não poderia fugir, e então atirou.
                Ele pode até ter errado a cabeça, mas acertou bem no meio do pescoço do cervo. A flecha não atravessou, o que só provou que Gundar atingira algum osso. O cervo caiu, morto obviamente. Sendo experiente no que faz, Gundar perguntou a Darl se havia algum lobo por perto, assim eles poderiam descer em segurança.
                O problema foi que Darl, na verdade, estava olhando para o outro lado, e assistindo quando Gundar atirou a flecha. Quando Darl olhou novamente para onde devia, ele só pôde ver dois lobos correndo em direção ao cervo morto. Darl não teve tempo de falar, pois os lobos já estavam do outro lado da árvore atravessando o rio. Gundar os viu.
                — Ah, droga! — Resmunga Gundar, preparando outra flecha.
                Ele atira e atinge um dos lobos na perna dianteira esquerda. Ambos entram em alerta e começam a procurar em volta por alguma ameaça. Logo outra flecha voa e acerta o lobo que Gundar atingira, desta vez no torso. O coração deve ter sido atingido, já que o lobo cai morto.
                O outro lobo vendo o companheiro caindo bem ao seu lado, andou até ele e cheirou-o. Em vez de fugir, ele começa a rosnar para a direção de onde a flecha veio, ele pareceu ver Gundar na árvore, que não teve tempo de ter certeza se sua suspeita era a realidade.
                Gundar atira outra flecha, mas erra, acertando o chão a alguns centímetros lobo, que dispara em sua direção. Quando o lobo ainda atravessava o rio, Gundar dispara outra flecha, mas erra novamente. O lobo já estava quase do outro lado do rio. Gundar, para ganhar tempo, joga o arco em direção ao lobo, atingindo-o, mas apenas atrasando-o.
                Gundar retira uma adaga do cinto, mas o lobo já embaixo dele. A árvore não era muito alto, então o lobo pula e agarra o pé direito de Gundar com uma mordida, derrubando-o. Gundar acaba largando a adaga. Ele levanta-se e sem ter tempo de pensar, o lobo salta em sua direção. Gundar agora deve agir por puro instinto.
                Ele tenta se defender com o braço esquerdo, o logo agarra esse braço com os dentes. Gundar, apesar da dor, dá um soco com o braço livre no rosto do lobo, que solta-o. O lobo anda em volta de Gundar, que procura pela adaga no chão e ao mesmo tempo presta atenção no lobo.
                No momento em que Gundar se move em direção à adaga, o lobo salta novamente. Mas Gundar consegue pegar a adaga e num movimento rápido, a enfia na boca do lobo durante o pulo. Gundar não esperou que o lobo morresse e logo arrancou a adaga e a enfia na garganta do lobo.
                Darl desce da árvore e olha para o lobo, tecnicamente morto, e para Gundar. Gundar tinha o braço esquerdo coberto de sangue e a adaga ficou no pescoço do lobo. Ele olha furioso para Darl e diz:
                — Para onde diabos estava olhando? Se eu não tivesse sido surpreendido poderia pensar em um jeito melhor de matá-los.
                — Eu, err... — Darl não sabia o que responder, nem tinha como.
                — Seu erro quase custou nossas vidas! — Gundar grita, — Se para garantir sua sobrevivência você tenha que se manter atento por uma semana, FAÇA! Mas você não pode fazer isso nem por uma hora! UMA MÍSERA HORA!!!
                Darl não disse nada, e fez bem.
                Gundar enfaixa o braço esquerdo, recolhe a adaga e as flechas. Amarra o cervo e ambos os lobos e faz Darl carregá-los de volta a Nouwer.

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