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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Projeto da história mencionada na primeira postagem

Esse é o que escrevi do prólogo da história que mencionei na primeira postagem do blog (que é inclusive a postagem anterior). Caso você, leitor(a), entenda de gramática e perceba más formações no texto ou qualquer erro, sinta-se livre para me corrigir nos comentários. Não trabalho com textos, faço isso por diversão, então não me considero obrigado a saber todas aquelas regras e usá-las corretamente, mas faço o que posso para meus textos ficarem o melhor possível. Você também poderá baixar os PDFs mais tarde no blog. Também, não se assuste com o quão trágica essa história pode ser nesse prólogo, não pretendo escrever sempre coisas assim, esse é só o que acontece antes do início na história em si. Sem mais enrolação, aqui vai (obs.: a história ainda não tem nome):





Prólogo
 
     Guerra... Verdades, deuses, rivalidade entre feudos, simples discussões... Hoje no Oeste tudo acaba em simples guerra. As pessoas não conhecem mais a verdadeira paz, elas podem apenas aceitar seus destinos miseráveis. A única escolha que elas têm é entre ser morto pelos seus "inimigos de guerra", cometer suicídio ou, caso viva o bastante, morrer de  fome ou de alguma doença.
     Reflexões já não ocorrem com frequência,  nem mesmo por parte daqueles que causam as guerras. Não se pode questionar qualquer "autoridade" ou "santidade", pois você é executado ou queimado enquanto é condenado a parar em algum inferno ou coisa do tipo, dependendo de onde você é. Mas no final, é sempre o mesmo.
     Uma vez as pessoas conheceram a palavra "vida" melhor que "morte", "possibilidade" melhor que "iminência", "religião" melhor que "pura verdade"... e pelo menos chegaram a ouvir a palavra "Magia", a palavra sem antônimos, a palavra esquecida.
      Sempre existiram guerras, vidas e mortes miseráveis, todas essas coisas. Mas existia raciocínio, existiam aqueles que podiam unir e guiar corretamente, aqueles que hoje não existem. E agora, você conhecerá o verdadeiro passado, e com ele, somente com ele e sua própria interpretação, você entenderá o presente.
     Guerras sempre existiram, sejam elas entre famílias ou pequenos povoados. Os humanos tendem a entrar em conflitos desde que eles, de alguma maneira, obtenham lucro. Isso é um fato. Com ou sem ouro, o lucro ainda existe e é mais importante que tudo, seja para enriquecer ou se alimentar.
     Obviamente, as coisas não seriam sempre as mesmas. Sempre surgiam aqueles que eram capazes de unificar, e isso tanto ocorreu quanto se desfez várias e várias vezes na humanidade. Surgiram grandes impérios, e todos eles ruíram ou para que outros surgissem, o ciclo é perfeito e inevitável.
     Depois de muitos séculos, quando as engenhosas armas de cerco estavam sendo mais usadas do que nunca, ocorre uma grande "descoberta": A descoberta, ou se preferir, a redescoberta, da conhecida no Oeste como "Magia". Sim, a "Magia" já existiu entre os humanos antes, de diversas formas e com diversos usos. Era impossível de explicar, era algo divino, algo sobrenatural, algo milagroso, algo estranho, algo que não era encarado bem pelas pessoas.
     A "Magia" foi redescoberta por Gundord, o homem que conquistou dezenas de feudos usando principalmente sua sabedoria, sendo capaz de causar incríveis reviravoltas em suas poucas guerras. Ele conquistou a maioria dos feudos convencendo os seus donos das vantagens da unificação. Seu grande império se estende da parte sul do Mar do Norte, ocupa a maior parte norte do Mar do Oeste e vai até o Grande Lago Salgado, ao sul. Esse império não se estendeu mais porque, a leste, havia outro grande conquistador, com um outro grande império.

     Esse outro império se estendia por quase toda fronteira terrestre do império de Gundord exceto pela região das margens do Mar do Norte e se estende um pouco mais por terra ao leste do Grande Lago Salgado. Esse império pertencia a Khanlof, que também conquistou muitos feudos até formar seu império, porém, diferente de Gundord, este apelou aos conflitos. Primeiro reuniu todo o ouro possível, depois contratou tantos mercenários do Norte que formou um exército que, em apenas um mês conquistou onze feudos. Após isso ele conquistou os outros feudos usando inexplicáveis táticas de guerra que ninguém jamais pôde explicar nem impedir sua eficiência uma vez sequer. E também conquistou pelo comércio, mas na verdade, seus aliados comerciais se uniram a ele por temerem-no.
     Ao descobrir sobre a descoberta de Gundord, Khanlof logo se empenhou completamente em conseguir essa misteriosa "Magia" para ele. Ele já ouvira sobre Magia no Norte, mas as pessoas não levaram isso à sério, consideravam superstição ou apenas ignoravam, ninguém queria falar sobre qualquer coisa mística envolvendo o Norte. Também ouvira sobre Magia do Sul, mas ninguém de seu império viajou até aquelas terras, aqueles que tentavam ir diziam que era quente como o inferno e não se tinha nada além de areia e alguns até disseram ver água no horizonte mais ela sempre sumia ao chegar perto; logo, o Sul passou a ser considerado uma terra amaldiçoada.
     Khanlof sabia que Gundord queria manter essa Magia longe de todos, mesmo que fosse por um bom motivo. Mas ele não podia simplesmente deixar que seu vizinho guardasse algo tão valioso, ele queria essa Magia a todo custo, como se ela estivesse chamando-o, implorando para que Khanlof a libertasse.
     Não demorou nem uma semana e Khanlof, mesmo sabendo a resposta, fez sua exigência, era totalmente inaceitável, mas ele apenas queria, por honra pessoal, avisar a Gundord sobre o que estava por vir.
     Khanlof, sendo um gênio quando o assunto é guerra, já tinha sua estratégia preparada. Ele sabia a fraqueza de Gundord e as fraquezas de seu império: Gundord era velho e logo deveria passar o trono para algum de seus filhos; além de seus filhos, existiam poucas pessoas de confiança em sua corte, isso porque Gundord, para evitar guerras, mantivera sua promessa aos donos dos antigos feudos de deixá-los como membros importantes de sua corte.
     Após Gundord recusar sua exigência, Khanlof contrata mercenários do Leste, sequestra os filhos de Gundord e os mantêm como reféns, exigindo novamente a misteriosa Magia ou ele mataria os filhos de Gundord e começaria uma guerra, essa guerra seria catastrófica para ambos impérios mas Khanlof tinha certeza que venceria.
     Gundord, sabendo que Khanlof não sabia o que era exatamente essa Magia, o deu um livro, um livro que até hoje não se sabe o que havia escrito, na esperança de que Khanlof pensasse que neste livro encontraria o que queria. A troca, por exigência de Gundord, foi feita ao mesmo tempo para ambos. Khanlof também fez sua exigência: exigiu que Gundord estivesse no local da troca sozinho e pessoalmente. Logo após receber o livro, Khanlof fez o que Gundord achou que fosse impossível para um homem que, apesar de tudo, guardava forte honra: Ele ordenou que os filhos de Gundord fossem assassinados ali mesmo.

     Gundord não teve muito tempo para agir, ele conseguiu apenas ver seus filhos sendo apunhalados pelas costas em menos de dois segundos.  Logo ali estava ele, um velho homem desarmado presenciando os filhos desabando no chão. Gundord olhou para khanlof e viu que o homem que antes guardava honra, tinha um sorriso sinistro no rosto, sorriso que parecia sentir prazer em ver as atrocidades que cometeu.
     Gundord, por sua vez, também não reagiu como khanlof esperou. Ele tinha em seu rosto uma expressão tanto de profunda tristeza por ver seus filhos sendo assassinados quanto de arrependimento pelo que estava prestes a fazer.
     Khanlof, já perdendo seu sorriso, disse: "E então Gundord, quer me enganar novamente e morrer junto ao seu império e todas as pessoas que você poderia querer proteger, ou prefere me entregar seja lá o que for essa 'Magia' e evitar uma guerra?"
     Gundord, por mais que soubesse o que seria o certo a se fazer, agiu conforme suas emoções. Então, o velho homem, com os olhos cheios de lágrimas, sabendo que não poderia nem dar a seus filhos um enterro digno nem impedir uma guerra, olhou para os corpos de seus filhos e disse: "Perdoem-me, meus filhos. Mas eu sei o que vocês iriam querer que eu fizesse nessas circunstâncias, e eu farei...", olhou para Khanlof e continuou: "Khanlof, a Magia é um poder que está além de nossa compreensão, você não seria capaz de controlá-la, muito menos agora que se corrompeu. Mas eu não tenho escolha, de um jeito ou de outro ele a terá. A melhor escolha seria impedir uma guerra, mas nem mesmo o mais sábio dos homens seria capaz de satisfazer a vontade do monstro que assassinou seus filhos, nem  dá-lo um poder que ele não poderia controlar."
     Khanlof, se sentindo insultado mas sem perder o ar de controle diz: "E o que você pode fazer agora velho homem? Você morrerá agora com seu império se recusar minha 'oferta' mas poderá evitar a morte de milhares, talvez milhões se aceitar. Por que não me entrega essa 'Magia'?"
     Gundord então diz: "Porque eu vi o futuro, Khanlof. Or finem nar exert, onas on perf recre ciclus. Mer du tragin-o ot lar homunos."
     Khanlof não teve chance de perguntar o que aquilo significava. O chão começou tremer, todo o lugar começou a tremer. A contrução onde eles estavam começou a desabar e a saída estava a vinte metros dali, num ato de instinto Khanlof, enquanto corria, lançou com braçadas seus mercenários que não estavam compreendendo o que estava acontecendo, Khanlof também não, mas ele não ficaria ali para saber. Mas, por azar, a saída logo despencou também e ele ficou preso ali com seus mercenários e Gundord que gritava:"Or darkos nar devin cam, or darkos nar devin cam!"
     Os mercenários de Khanlof estavam procurando um jeito de escapar, mas um por um foram esmagados por pedras. Logo sobrou Khanlof preso com Gundord naquele lugar em colapso. Mesmo sabendo que não teria escapatória, Khanlof puxou sua espada e disparou em direção a Gundord com uma pequena esperança de que se o matasse o lugar pararia de desabar.

     Quando sua espada foi ao encontro de Gundord ela simplesmente se quebrou. Khanlof desesperado tentou atacar Gundord com os punhos, mas ele apenas fora lançado para longe por alguma força que não podia ver, muito menos compreender.
     O desespero já tomava conta de Khandof que sabia ser incapaz de fugir. Apenas em seus últimos segundos de vida ele entendeu o que Gundord estava fazendo: Aquilo era Magia! Gundord estava tentando matá-lo com magia, e estava conseguindo. Até que o velho imperador desaba no chão exausto.
     Khanlof levantou-se do chão, atônito, andou lentamente até Gundord que se encontrava no chão e, novamente com seu sorriso macabro, porém desta vez misturado com espanto começa a gargalhar, mais e mais alto até que olhou para cima e pôde ver apenas a enorme pedra que caía em sua direção.
     Gundord também morreu, logo, com a morte de ambos imperadores, o caos surgiu entre os imérios. No império de Gundord não havia herdeiro vivo, logo todos que estavam em postos importantes começaram a disputar entre si e separar o império novamente em feudos que se mantém constantemente em guerra. Porém, Khanlof tinha filhos, o mais velho deles se chamava Yorn, que logo herdou o trono do pai. Mas, ele tinha apenas treze anos e não era capaz de governar como seu pai; mesmo assim ele tentou, e até conseguiu, com o custo de perder grande parte de seu território que foi tomado por oportunistas.
     Yorn ainda teve dois filhos homens: Knor, o mais velho e herdeiro do trono e Jore, o caçula. Knor era um imperador nato, fora educado para governar melhor até que seu pai. Mas Jore queria ser imperador a qualquer custo, nem que tivesse que matar seu irmão para isso.
     Jore planejou um modo de herdar o trono de seu pai a muito tempo, ele precisava apenas da paciência de uma serpente para o momento certo de dar o bote. Ele esperou até que tivesse dezessete anos, faltando apenas alguns dias para completar dezoito, nesse mesmo dia, Yorn, seu pai, tivera sua comida misteriosamente envenenada e, eventualmente Knor se tornou imperador. Knor, dois dias depois fora assassinado, sendo atingido por uma flecha na cabeça. Logo depois, sem precisar de muita burocracia, Jore, por ser o último herdeiro vivo e ter quase dezoito anos, se tornou imperador. Seria muito suspeito se Jore não fosse assassinado também, então, quando ninguém além do próprio Jore via, um homem encapuzado segurando uma faca se aproximou bruscamente de Jore que gritou por ajuda de seus guardas que logo prenderam o suposto assassino do pai e do irmão de Jore. O "assassino" foi imediatamente executado em público e a paz voltou ao império, ou não.
     Jore não tinha idéia de como governar, muito menos queria saber disso. Ele queria apenas aproveitar seu "poder supremo" de modos que por motivos morais não serão citados, apenas deixados para a imaginação do leitor.
     Jore também tinha uma irmã, Leaz, que sabia da verdade por trás do assassinato do pai e irmão mais velho. Não demorou muito também para ela conspirar contra Jore e tentar fazer algo útil para o império, coisa que não aconteceu uma vez sequer enquanto Jore esteve no poder. Ela começou tentando fazer que o povo se revoltasse e fizesse uma revolução. Jore, que não teria idéia do que fazer numa situação como essa, Leaz daria um jeito nele, nem que fosse matando-o. 

     Porém, Jore tinha o dom de suspeitar de tudo e todos, e logo mandou espiões vigiarem o que sua irmã e todos os ocupantes de cargos importantes faziam. Não demorou muito para a conspiração de Leaz ser descoberta, mas o povo já estava pronto para fazer a revolução. Jore, para mostrar seu poder absoluto, executa sua irmã em público, no mesmo momento a multidão se revolta contra ele e o assassina em público também.
     Agora, sem herdeiros ao trono e um povo com sede de revolução, o caos recomeça. Todos agora querem o trono, todos, sejam o povo, os nobres ou a igreja, todos querem poder, e os únicos modos conhecidos de se fazer isso é conseguir apoio e fazer guerra, unindo ou não os métodos.
     E assim começa o que se vive hoje onde ficavam os impérios de Gundord e Khanlof. Existem apenas breves momentos de paz, mas todos estão sempre prontos para começar outra matança. Muitos conseguiram se organizar e lucrar com essas guerras, principalmente na fronteira com o Norte e pelas redondezas do Mar do Norte. Até que, em algum ponto, a magia foi novamente redescoberta, mas dessa vez, ela será usada de diversas maneiras, mas todas na guerra. 



E assim acaba o prólogo. Trágico, não? Lembre-se que não será sempre assim. Histórias sempre trágicas tendem a deixar o leitor insensível, e um leitor insensível nunca é bom para um final não trágico.


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