Capítulo 01
Desespero,
horror, confusão e muitos outros sentimentos como esses passavam pela cabeça de
Darl, que estranhamente sentia uma espécie de prazer. O garoto de onze anos
corria sem rumo pela floresta, ele não se lembrava de nada e ao mesmo tempo se
lembrava de tudo, mas nada de que se lembrava podia ser real.
Era uma
noite fria e com fortes ventos, Darl se sentia pesado, estava ofegante e
tremia. Logo não pôde mais correr e se apoiou com a mão direita em uma árvore,
ainda sem conseguir pensar bem olhou para sua mão esquerda. Ela estava
ensanguentada, e isso só piorava suas memórias. Ao perceber um ruído, olhou
rapidamente para trás, e lá havia um lobo em postura agressiva rosnando para
ele.
Sem
pensar duas vezes, Darl começou a correr. Enquanto corria ele olhava para trás:
o lobo não estava correndo muito rápido, na verdade quase na mesma velocidade
que ele. Ao olhar novamente para a frente, Darl se deparou com um corpo preso à
uma árvore por uma forquilha (um daqueles tridentes usados para carregar feno).
Por instinto ele apoiou seu pé esquerdo no peito do defunto enquanto segurava o
cabo da forquilha com ambas as mãos e puxou-a. A forquilha logo se soltou do
cadáver e pela força aplicada e falta de equilíbrio, Darl cai para trás.
Antes
de poder levantar o lobo morde a canela esquerda de Darl, que também por
instinto, após gritar, atravessou a lateral do lobo com os dentes da forquilha.
Darl, com lágrimas nos olhos, levanta-se e olha ainda mais atônito para o lobo
morto aos seus pés; mas ele esquece que lobos só caçam em duplas, sem tempo
para perceber isso, ouvindo outro barulho, Darl olha novamente para trás. Dessa
vez não há um lobo parado, mas sim um pulando em sua direção. Após ser jogado
de costas no chão, o lobo, que está em cima de Darl, avança uma mordida a seu
pescoço. Darl vê seu fim em "câmera
lenta". Até que uma voz ecoa em sua cabeça:
— Lendai-me tai sanitus.
Darl se
sentiu então sonolento, em transe, ele sentia uma pequena e estranha sensação
de prazer. Os dentes do lobo se aproximavam em "câmera lenta" do pescoço de Darl, até que ele, ou
melhor, a mão direita dele, por conta própria penetra na barriga do lobo e sai
pelas costas. Após o lobo não se mexer mais, Darl se levanta ainda com o lobo
pendurado em seu braço; seus lábios se contraem como se ele estivesse sorrindo,
mas ele nem mesmo tem consciência do que faz. Darl move seu braço com o lobo
bruscamente para o lado e o lobo se desprende dele.
Seus
braços pesam, seu pescoço inclina-se fazendo sua cabeça cair para o lado, seus
joelhos tremes... Darl cai de joelhos no cão e recobra a consciência. E o pior
de tudo: Ele se lembra do que, involuntariamente, acabou de fazer. O garoto
desmaia e fica entre os corpos de ambos os lobos. E assim ficou toda a noite.
Ainda postarei umas artworks dos personagens. Inclusive eu já desenhei o antagonista mas não terminei o protagonista. Postarei as duas artworks do antagonista na próxima postagem.
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